Em um expressivo domingo, marcado pelas celebrações do Dia Internacional da Mulher em diversas cidades brasileiras, Salvador sediou um ato de grande relevância. Organizada pela Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB Bahia) e diversas entidades parceiras, a manifestação reuniu um público engajado na luta por direitos fundamentais, com foco principal no combate ao feminicídio e na revisão da jornada de trabalho 6×1. A mobilização na capital baiana não apenas celebrou a data, mas também reafirmou a importância de políticas públicas e da conscientização social para a construção de uma sociedade mais justa e igualitária.
Mobilização em Salvador Pede por Mulheres Vivas, em Luta e Sem Medo
Com o tema 'Mulheres Vivas, em Luta e Sem Medo', a caminhada que partiu da Barra contou com a energia contagiante da banda feminina Yayá Muxima. A dirigente da CTB Bahia, Marilente Betros, atuou como uma das condutoras do ato, simbolizando a liderança feminina na pauta. A iniciativa da Central contou com o apoio de diversos sindicatos classistas, da União Brasileira de Mulheres (UBM) e de múltiplas entidades feministas. Entre as autoridades presentes, destacaram-se o secretário estadual do Trabalho, Augusto Vasconcelos, e a secretária estadual de Promoção da Igualdade, Ângela Guimarães, evidenciando o respaldo institucional à causa.
Rosa de Souza, presidenta da CTB Bahia, ressaltou a importância do momento político, especialmente com as próximas eleições de outubro. Ela enfatizou a necessidade de reeleger o presidente Lula e fortalecer a representatividade no Congresso Nacional, visando garantir que as pautas das mulheres e da classe trabalhadora recebam a devida atenção legislativa. A deputada federal Alice Portugal, presidente da Comissão dos Direitos Humanos, reforçou a prioridade da luta contra o feminicídio, declarando-a como sua principal bandeira na defesa da vida das mulheres, ao lado da vereadora Aladice Souza.
A Urgência do Combate ao Feminicídio: Dados Alarmantes no Brasil
O Brasil figura entre os países com os mais altos índices de feminicídio no mundo, uma realidade trágica que foi duramente denunciada durante o protesto. Segundo dados do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH), em 2025 o país registrou 1.568 vítimas, um aumento de 4,7% em relação ao ano anterior e um crescimento contínuo na última década. Essa estatística alarmante significa que, em média, quatro mulheres são assassinadas por dia em razão de seu gênero, e que seis em cada dez dessas vítimas (62,6%) são mulheres negras.
A vulnerabilidade é ainda mais cruel ao constatar que aproximadamente 13% das vítimas de feminicídio em 2025 já possuíam medidas protetivas de urgência, um dado que sublinha a falha na efetividade dos mecanismos de proteção existentes e a urgência de aprimorá-los. O coordenador-geral da APLB, Rui Oliveira, presente na atividade, manifestou solidariedade às mulheres e defendeu que o combate à violência de gênero é uma responsabilidade compartilhada por toda a sociedade, incluindo os homens, transcendendo a pauta exclusivamente feminina.
Fim da Escala 6×1: Por Mais Qualidade de Vida para as Mulheres Trabalhadoras
Outra pauta central da manifestação foi a exigência pelo fim da escala de trabalho 6×1 (seis dias trabalhados para um de descanso), uma demanda que ganha ainda mais centralidade na vida das mulheres trabalhadoras. A luta pela redução da jornada sem diminuição salarial é crucial para todos, mas tem um impacto ainda maior sobre as mulheres, que frequentemente enfrentam uma dupla ou até tripla jornada, acumulando o trabalho remunerado com afazeres domésticos e o cuidado com a família.
O Censo de 2022 do IBGE revela a disparidade gritante: mulheres dedicam, em média, 21,3 horas semanais a afazeres domésticos e cuidados com pessoas, enquanto homens dedicam 11,7 horas. Para mulheres pretas e pardas, essa carga é ainda maior, com 1,6 hora a mais por semana do que entre mulheres brancas. Mesmo após cumprirem jornadas formais de 40 a 44 horas semanais, as trabalhadoras continuam acumulando trabalho não remunerado. A revogação da escala 6×1 é vista como um passo essencial para garantir o direito ao descanso, ao lazer, à cultura e à convivência familiar e social, elementos fundamentais para a dignidade humana e a autonomia feminina.
Um Grito Unificado por Justiça Social e Equidade de Gênero
A manifestação em Salvador, no Dia Internacional da Mulher, transcendeu a celebração para se tornar um poderoso grito por justiça social e equidade de gênero. Ao unir as pautas do fim do feminicídio e da alteração da escala de trabalho 6×1, as mulheres da Bahia, junto a seus aliados, deixaram claro que a luta por seus direitos é multifacetada e contínua. As falas das lideranças reforçaram que a construção de uma sociedade onde as mulheres sejam verdadeiramente livres, seguras e valorizadas passa, necessariamente, por mudanças legislativas, sociais e culturais profundas, com o engajamento de todos os setores e esferas de poder.
Fonte: https://mundosindical.com.br