O cenário da comunicação brasileira é abalado por graves denúncias envolvendo a Times CNBC Brasil, canal de notícias que teve seu lançamento em 2024 marcado por grande expectativa. O Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo (SJSP) revelou um panorama preocupante de fraude trabalhista, práticas antissindicais e indícios de assédio no ambiente de trabalho da emissora, instalada em um edifício de destaque no Itaim Bibi, capital paulista. As constatações levaram o SJSP a alertar a empresa há duas semanas, sem, contudo, obter qualquer retorno às reivindicações apresentadas.
Demissões em Massa e o Regime de 'Pejotização'
Os primeiros sinais de um ambiente laboral problemático começaram a chegar ao conhecimento do Sindicato em dezembro do ano passado. Às vésperas do Natal, um corte significativo de aproximadamente 30 profissionais foi realizado, com a grande maioria operando sob o regime de Pessoa Jurídica (PJ). Esta prática, frequentemente utilizada para mascarar relações de emprego e evadir direitos trabalhistas, levanta fortes suspeitas de fraude e se tornou um dos pontos centrais da investigação sindical, evidenciando uma possível precarização das relações de trabalho.
Visita Sindical Obstruída e Táticas de Isolamento
Diante do crescente número de queixas, o SJSP, exercendo seu direito assegurado pela Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) do setor de rádio e televisão, enviou sua diretora, Solange Santana, à emissora em 5 de fevereiro. No entanto, a visita, destinada a dialogar com os jornalistas da redação, foi marcada por uma estratégia de isolamento. A dirigente sindical foi conduzida a uma sala separada, e um funcionário do Recursos Humanos (RH) a impediu de comunicar abertamente sua presença e disponibilidade para conversa a todos os profissionais na redação, uma prática que o Sindicato aponta como recorrente e desfavorável ao livre acesso sindical.
Confronto com o RH e Abertura Antissindical
O incidente na Times CNBC Brasil escalou quando o representante do RH expressou incômodo com a diretora distribuindo boletins informativos para os colegas que passavam pela porta da sala. A irritação do funcionário culminou em uma confissão explícita: ele afirmou que quase a totalidade dos jornalistas eram PJs e que, portanto, o Sindicato não teria 'nada a dizer para eles' por 'não representá-los'. A sindicalista refutou veementemente essa alegação, reiterando que o SJSP representa todos os jornalistas no estado de São Paulo, independentemente do regime de contratação, e que a conduta do RH configurava uma atitude intimidatória e antissindical, visando impedir o diálogo dos trabalhadores com sua entidade de classe.
Ao final da visita, o mesmo funcionário do RH ainda proferiu frases de teor pejorativo e antidemocrático, como 'Por mim, sindicato não existiria' e 'sindicalista é tudo assim', enquanto a diretora distribuía o restante dos boletins apenas em algumas baias da redação. Essa postura agressiva e o discurso de ódio confirmam as acusações de conduta antissindical e antidemocrática no ambiente da emissora.
Próximos Passos: Sindicato Demanda Reunião Urgente
A gravidade das denúncias, que incluem a suspeita de fraude trabalhista pela 'pejotização' em larga escala, o assédio moral e uma postura abertamente antissindical por parte da gestão da Times CNBC Brasil, levou o Sindicato dos Jornalistas de São Paulo a solicitar uma reunião de urgência com a direção da empresa. O objetivo é discutir e implementar medidas eficazes para combater o assédio, reverter a precarização das relações de trabalho e garantir o respeito às liberdades sindicais e aos direitos dos jornalistas, assegurando um ambiente de trabalho digno e em conformidade com a legislação vigente.
Fonte: https://mundosindical.com.br