Porto Alegre, uma cidade com forte simbolismo nas lutas democráticas, foi o palco da <b>1ª Conferência Internacional Antifascista pela Soberania dos Povos</b>, que culminou no último domingo com a histórica aprovação da Carta de Porto Alegre. Este documento fundamental sintetiza as deliberações do encontro, consolidando um veemente apelo à unidade internacional para fazer frente à crescente ameaça da extrema direita e do imperialismo. A Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) figurou entre as signatárias proeminentes, com a participação ativa de seu presidente, Adilson Araújo, em debates cruciais sobre o combate dos trabalhadores ao neoliberalismo e ao fascismo.
Um Chamado Global por Unidade e Resistência
Milhares de ativistas, representando mais de quarenta nações dos cinco continentes, convergiram na capital gaúcha para fortalecer a organização e a resistência. O objetivo central foi traçar estratégias para o combate aos diversos fascismos contemporâneos, à extrema direita e ao imperialismo em sua fase mais agressiva. Neste cenário, Adilson Araújo, presidente da CTB, sublinhou a urgência de <i>fortalecer a organização da classe trabalhadora e ampliar a unidade entre os povos</i>. Para ele, a mobilização consciente, a lucidez política e a solidariedade internacional são pilares indispensáveis para derrotar a extrema direita e construir um futuro alicerçado na soberania, nos direitos humanos e na justiça social.
A Crise Sistêmica e a Ascensão do Neofascismo
A Carta de Porto Alegre faz uma análise contundente do atual cenário global, caracterizando o sistema capitalista-imperialista como imerso em uma profunda crise econômica, social e moral. A resposta das potências imperialistas a este declínio manifesta-se no fomento generalizado do fascismo, na imposição de políticas neoliberais, em agressões militares a nações mais vulneráveis e em esforços de recolonização, buscando perpetuar sua hegemonia e acumulação de capital.
As Manifestações Multifacetadas da Ameaça
Embora as ameaças fascistas e neoliberais apresentem particularidades em cada país, o documento destaca pontos de convergência alarmantes. Entre eles, estão a eliminação progressiva das liberdades democráticas, a desestruturação dos direitos trabalhistas, a escalada do desemprego estrutural e o desmonte da previdência social. A repressão a entidades sindicais e movimentos populares, a privatização massiva de serviços públicos e a implementação de políticas de austeridade que sufocam o investimento social são igualmente condenadas.
Complementar a essa agenda, a Carta aponta para o negacionismo científico e climático, a expropriação de camponeses em favor da agroindústria, o deslocamento forçado de populações originárias para promover o extrativismo predatório, políticas migratórias ultra-restritivas e o expressivo aumento de despesas militares. A extrema direita, nesse contexto, instrumentaliza o descontentamento gerado pelas políticas neoliberais, direcionando-o contra grupos oprimidos e minorias, como migrantes, mulheres, pessoas LGBTQIA+, beneficiários de programas de inclusão e grupos racializados, através de um nacionalismo exacerbado, racismo, xenofobia, sexismo e incitação ao ódio.
O Imperialismo como Motor da Agressão e Exploração
A incessante busca pela acumulação de riqueza e o lucro máximo, que sustentam as políticas da extrema direita, também se manifestam na intensificação das agressões imperialistas. O imperialismo contemporâneo é descrito como desenfreado, agressivo e belicista, atropelando o Direito Internacional, desrespeitando a Carta da ONU e a autodeterminação dos povos. Através de sanções, ataques e bombardeios, busca monopolizar recursos e explorar populações, evidenciando a interligação entre a agenda econômica neoliberal e a violência geopolítica.
Mobilização Global em Resposta às Ameaças
A Carta de Porto Alegre não apenas diagnostica a crise, mas também celebra e inspira a resistência global. A semana da conferência foi marcada por significativos atos de mobilização, como o comboio "Nuestra América a Cuba", as manifestações de mais de um milhão de pessoas na Argentina contra as políticas de Milei, e as centenas de milhares que participaram de convocações antifascistas no Reino Unido. Destacou-se também a grandiosa e histórica manifestação "No Kings" nos Estados Unidos, que reuniu milhões de cidadãos em centenas de cidades para reiterar a oposição a figuras como Trump, visto como um inimigo da humanidade. Esses eventos, citados no documento, exemplificam a crescente e diversificada frente de luta contra as forças que ameaçam a democracia e a soberania.
Reafirmando Princípios Fundamentais
O documento ressalta que as ameaças atuais convergem para a destruição de pilares essenciais como a soberania nacional, os direitos humanos, as liberdades democráticas e o meio ambiente. Em contrapartida, propõe um projeto de sociedade que defende a soberania plena dos povos, a justiça social e ambiental, e a paz entre as nações, como antídotos para o avanço da barbárie.
Conclusão: Rumo a um Futuro de Soberania e Justiça
A Carta de Porto Alegre emerge como um farol de esperança e um plano de ação para os movimentos sociais e trabalhistas em todo o mundo. Ao sintetizar um diagnóstico preciso da crise global e propor estratégias de resistência, o documento reforça a convicção de que apenas a união e a solidariedade internacional dos povos poderão deter o avanço da extrema direita e do imperialismo. A conferência e sua carta magna pavimentam o caminho para a construção de um novo paradigma baseado na soberania popular, na defesa intransigente dos direitos e na busca incessante por uma justiça que abranja a todos e todas.
Fonte: https://mundosindical.com.br