SUS Lidera Combate à Malária: Brasil Atinge Redução Histórica de Casos e Mortes com Novo Tratamento

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O Brasil celebra uma conquista significativa na saúde pública, registrando uma queda notável nos indicadores de malária. Em 2025, o país viu uma redução de 30% nas mortes pela doença, com os óbitos diminuindo de 56 em 2024 para 39. Concomitantemente, os casos da forma mais grave da enfermidade apresentaram um recuo de 30,7%. Essa performance positiva é amplamente atribuída à introdução da tafenoquina no Sistema Único de Saúde (SUS), um medicamento inovador que tem revolucionado o tratamento e a prevenção.

Declínio Histórico da Malária no Território Nacional

A incidência geral da malária no Brasil também alcançou um patamar inédito. Com 118.037 registros de contaminação em território nacional no mesmo período, houve uma diminuição de 15% em comparação com o ano anterior, marcando o menor número de casos desde 1978. O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, enfatizou a relevância desses dados durante sua participação no 61º Congresso da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical (MedTrop), em Brasília, destacando que o país alcançou a menor taxa de casos de malária dos últimos 47 anos.

Tafenoquina: A Inovação que Transforma o Cenário

A principal força motriz por trás dessa redução é a oferta da tafenoquina pelo SUS. Incorporado em 2023 para pacientes adultos (a partir de 16 anos e com peso igual ou superior a 35 quilos), o medicamento começou a ser amplamente utilizado em dose única a partir de 2024. Sua ação prolongada é crucial para prevenir novas manifestações da malária, oferecendo uma camada extra de proteção. O Ministério da Saúde considera a tafenoquina um dos maiores avanços nos tratamentos disponíveis, e o Brasil se destaca como o primeiro país do mundo a incorporar essa medicação em seu sistema público.

Além da inovação farmacológica, a ampliação do diagnóstico, a oferta de testes rápidos e o acesso a tratamento adequado complementam as estratégias de controle. Até junho de 2026, mais de 33,7 mil pessoas foram incluídas no tratamento com tafenoquina em todo o país. Esse esforço se estendeu, desde março de 2026, para uma formulação pediátrica do medicamento, destinada a crianças a partir de 2 anos e peso mínimo de 10 quilos, beneficiando 1.446 crianças e adolescentes até junho.

Impacto Significativo em Populações Vulneráveis, como os Yanomami

A eficácia da tafenoquina e das ações combinadas do SUS foi particularmente evidente em regiões de alta vulnerabilidade. Em Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEIs), por exemplo, 3.920 tratamentos foram registrados. O ministro Padilha ressaltou uma redução de mais de 40% nos casos de malária em terras indígenas e em assentamentos rurais na região amazônica brasileira, área de maior incidência da doença.

No DSEI Yanomami, onde 1.515 pessoas receberam o tratamento com o novo medicamento, os resultados são ainda mais expressivos. Entre março e junho de 2026, as recaídas de malária caíram 61,9% em comparação com o mesmo período do ano anterior. De janeiro a julho, os casos totais da doença diminuíram 55%, passando de 17 mil para 7,6 mil. O território Yanomami foi a primeira área indígena a receber o medicamento, e as ações integradas, que incluíram a recuperação nutricional da população, contribuíram para interromper o que o ministro classificou como um "verdadeiro genocídio", com reduções de mais de 50% nos casos e mais de 70% nos óbitos por malária.

Reforço na Vacinação contra o Sarampo Diante de Casos Importados

Paralelamente à luta contra a malária, o Ministério da Saúde também tem reforçado as campanhas de vacinação contra o sarampo em todo o Brasil. Essa medida é uma resposta ao registro de 38 casos importados da doença, identificados em São Paulo, Espírito Santo, Rio de Janeiro e Tocantins. O ministro Padilha enfatizou que, apesar desses casos, o Brasil manteve em 2025 o certificado de país livre de sarampo, recuperado em 2024, graças à alta cobertura vacinal.

O país havia perdido esse certificado em 2019, devido à falta de ações de controle que resultaram em um surto significativo, com cerca de 20 mil registros de sarampo apenas na capital paulista. Em resposta aos recentes casos importados, que apresentavam cepas circulantes nos Estados Unidos e Canadá – regiões que, junto com o México, são responsáveis por mais de 75% dos casos no continente americano desde 2025 –, uma faixa vacinal ampliada foi estabelecida em cidades como São Paulo, Guarulhos e São Bernardo. Nestes locais, pessoas de 6 meses a 59 anos estão sendo vacinadas, independentemente de seu histórico vacinal, com mais de 70 mil doses já aplicadas somente na capital paulista.

Conclusão: A Importância da Vigilância e Inovação na Saúde Pública

Os progressos no combate à malária, impulsionados pela incorporação da tafenoquina e pela ampliação de diagnósticos e tratamentos, demonstram a capacidade do SUS em implementar estratégias eficazes contra doenças complexas. Essa conquista, aliada ao reforço na vigilância e vacinação contra o sarampo, sublinha a contínua necessidade de investimento em inovação científica, cobertura universal de saúde e campanhas de conscientização. O Brasil reafirma seu compromisso com a saúde de sua população, navegando por desafios globais com respostas coordenadas e tecnologias avançadas.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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