As principais centrais sindicais do Brasil emitiram uma forte condenação contra o que descrevem como um ataque dos Estados Unidos à soberania da Venezuela. Em um comunicado datado de 3 de janeiro de 2026, as entidades expressaram preocupação com a escalada de tensões na América Latina, alertando para os perigos do golpismo e da ingerência externa na região. O texto, assinado por lideranças de diversas frentes trabalhistas, salienta que a situação na Venezuela vai além da questão democrática, apontando para interesses geopolíticos e econômicos de potências estrangeiras, especialmente relacionados ao controle do petróleo venezuelano e à tentativa de enfraquecer alianças como os BRICS. A nota enfatiza a necessidade inegociável de respeito à autodeterminação dos povos e à busca por soluções pacíficas para conflitos internacionais, sublinhando que o destino de um país deve ser decidido exclusivamente por sua população.
A Denúncia e as Motivações Geopolíticas
O Ataque e o Contexto Histórico da Intervenção
O pronunciamento das centrais sindicais brasileiras marca uma posição contundente e inequívoca diante da crise venezuelana, focando na denúncia de uma agressão por parte dos Estados Unidos. Conforme o comunicado, essa ação não é isolada, mas sim parte de um projeto de décadas que visa retomar o controle sobre a América Latina. As entidades trabalhistas argumentam que, desde os esforços de Hugo Chávez para implementar um modelo de desenvolvimento independente e soberano na Venezuela, os Estados Unidos têm orquestrado um cerco persistente ao país, jamais aceitando sua autonomia. Este histórico de pressões culminou, segundo a nota, em eventos recentes que acentuam a polarização geopolítica, dividindo aqueles que apoiam a soberania dos povos e os que promovem intervenções imperialistas. A preocupação se intensifica com a percepção de que o golpismo, como uma estratégia de desestabilização política, permanece mais ativo do que nunca na região.
Interesses Estratégicos e a Hipótese do Golpismo
As centrais sindicais detalham que a alegada intervenção na Venezuela transcende as justificativas declaradas de combate ao narcotráfico ou defesa da democracia, as quais classificam como uma “cínica hipocrisia”. O comunicado aponta para motivações mais profundas e estratégicas, incluindo o desejo de Washington de apropriar-se das vastas reservas petrolíferas venezuelanas e de minar a influência de blocos emergentes como os BRICS. A nota ressalta que o alegado sequestro do presidente venezuelano Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, ocorrido em 3 de janeiro de 2026, é visto como um ponto de inflexão que escancara as linhas de combate geopolítico. As centrais também mencionam que o suposto governo extremista de Donald Trump teria se aproveitado de um relativo isolamento internacional da Venezuela, que teria sido impedida de ingressar no BRICS, apesar da resiliência demonstrada pelo país frente a ameaças militares, campanhas de desinformação e uma sistemática difamação global.
Repercussões Regionais e o Apelo à Autodeterminação
A Ameaça à América Latina e ao Brasil
As entidades sindicais brasileiras enfatizam que a intervenção na Venezuela representa uma ameaça de proporções muito maiores, estendendo-se não apenas ao país vizinho, mas ao Brasil, à América Latina e ao cenário global. A experiência histórica, conforme a análise apresentada pelas centrais, demonstra que o controle político, social e econômico exercido pelos Estados Unidos sobre o continente latino-americano tem um padrão recorrente de aprofundar desigualdades sociais, impor políticas de arrocho econômico, desmantelar programas sociais essenciais e, consequentemente, conduzir a períodos de grave retrocesso. O comunicado reforça a premissa fundamental de que a decisão sobre o futuro e o destino da Venezuela pertence exclusivamente ao seu povo, sem qualquer tipo de ingerência ou imposição por parte de potências estrangeiras. Este princípio da autodeterminação é visto como um pilar inegociável para a estabilidade e o desenvolvimento genuíno de todas as nações da região.
O Papel do Governo Brasileiro e a Urgência do Multilateralismo
Diante do quadro de tensões, as centrais sindicais brasileiras fazem um apelo direto ao governo nacional, instando-o a empregar todos os recursos e esforços diplomáticos para apoiar o povo venezuelano e trabalhar ativamente pela estabilidade regional. O comunicado reafirma um compromisso inegociável com o multilateralismo e com a solução pacífica de conflitos, princípios considerados essenciais para a coexistência harmoniosa entre as nações. A defesa da soberania, do diálogo e da autodeterminação dos povos é reiterada como a única via legítima e sustentável para resolver disputas internacionais e garantir a paz duradoura. As entidades sindicais brasileiras expressam a convicção de que a atuação do Brasil, pautada por esses valores, pode ser um fator crucial para desescalar o conflito e proteger a integridade dos países da América Latina contra novas tentativas de intervenção.
Unidade Contra a Intervenção e o Futuro da Paz na América Latina
Em um momento de elevada tensão geopolítica na América Latina, as centrais sindicais brasileiras, que incluem a CUT, Força Sindical, UGT, CTB, CSB, Nova Central Sindical, Intersindical e Pública Central do Servidor, por meio de seus representantes, clamam por uma frente unida contra a guerra e a intervenção. A declaração, veiculada em 3 de janeiro de 2026, destaca a importância vital da paz e da integração regional como antídotos a estratégias que buscam desestabilizar governos e explorar recursos naturais sob a fachada de agendas externas. A solidariedade com a Venezuela é apresentada não apenas como um gesto de apoio a um país vizinho, mas como uma defesa intransigente dos princípios de soberania e autodeterminação que são a base para a construção de uma América Latina próspera e livre de injerências. A mensagem final é clara: é imperativo que as forças progressistas e democráticas se unam para proteger a região de futuras incursões e para garantir um futuro de colaboração mútua e respeito entre os povos.