Juros Altos Persistem como Principal Obstáculo ao Crédito da Indústria Brasileira, Aponta CNI

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A indústria brasileira continua a enfrentar um cenário desafiador para acessar linhas de crédito, com os juros elevados consolidando-se como a barreira mais significativa. Um estudo recente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), divulgado nesta sexta-feira (9), revela a extensão dessa dificuldade, impactando diretamente o planejamento e o investimento das empresas no país. A pesquisa oferece um panorama detalhado das condições de financiamento, destacando não apenas os entraves financeiros, mas também os burocráticos e estruturais.

Juros Elevados: O Principal Bloqueio ao Financiamento Industrial

A análise da CNI aponta que as taxas de juros representam o maior impedimento para 76% das empresas que buscaram crédito de curto ou médio prazo. Para operações de longo prazo, com vencimento superior a cinco anos, o impacto é igualmente expressivo, sendo citado por 69% dos empresários. Embora esses percentuais mostrem uma ligeira queda em relação à pesquisa anterior, realizada em 2025 – quando 80% e 71% das empresas, respectivamente, mencionavam os juros como barreira –, a analista de Políticas e Indústria da CNI, Maria Virgínia Colusso, ressalta que 'a queda dos juros leva um tempo para se refletir no custo do crédito, que ainda chega bastante elevado para as empresas'.

Outros Obstáculos e a Complexidade do Acesso

Além do custo do dinheiro, outras exigências bancárias e processuais adicionam camadas de complexidade ao acesso ao crédito. As exigências de garantias reais despontam como o segundo maior entrave, afetando 33,4% das empresas em operações de curto e médio prazo, e 31,5% nas de longo prazo. A burocracia também é um fator considerável, apontada por 13,6% dos empresários em financiamentos de menor duração. Já nas operações de longo prazo, o prazo de carência insuficiente se destaca como a segunda maior dificuldade, mencionada por 18,9% dos entrevistados.

A Busca e a Frustração das Empresas por Crédito

A pesquisa da CNI também revelou um comportamento cauteloso por parte da indústria: quase metade (49,9%) das empresas sequer tentou contratar ou renovar crédito de curto ou médio prazo no período analisado. Para o crédito de longo prazo, esse percentual foi ainda maior, atingindo 54%. Entre as que buscaram financiamento, a taxa de sucesso foi modesta: apenas 22,9% conseguiram aprovação para operações de curto e médio prazo, e 15,5% para as de longo prazo. Alarmantemente, a taxa de frustração para quem buscou crédito aumentou em relação a 2025, chegando a 24,7% para curto/médio prazo e 37,2% para longo prazo, evidenciando uma dificuldade crescente, especialmente para as pequenas empresas, que registraram os maiores índices de insucesso.

Desvio de Propósito: Crédito de Longo Prazo para Capital de Giro

Um achado notável do estudo é a utilização atípica de linhas de crédito de longo prazo. Em vez de destiná-las a investimentos robustos em máquinas, equipamentos ou infraestrutura, 28,7% das empresas que buscaram, contrataram ou renovaram esse tipo de financiamento o fizeram para suprir necessidades de capital de giro. Este percentual superou o uso para investimentos em máquinas e equipamentos (23,6%) e construção (11,6%). A CNI destaca a preocupação com essa tendência, uma vez que as operações de longo prazo são tradicionalmente alocadas para investimentos de maior fôlego, enquanto despesas correntes deveriam ser cobertas por linhas de menor duração.

Sugestões da Indústria para Desburocratizar o Acesso

Diante das dificuldades, as empresas industriais propõem medidas claras para facilitar o acesso ao crédito. A redução dos custos tributários e administrativos emerge como a principal sugestão, endossada por 38,4% dos entrevistados para operações de curto/médio prazo e 31,2% para as de longo prazo. A ampliação das linhas de crédito públicas é outra proposta relevante, citada por 22,8% para o curto/médio prazo e 26,3% para o longo. Adicionalmente, a simplificação das exigências bancárias aparece como uma demanda significativa, com 21,1% e 22,1% das menções, respectivamente, para cada tipo de financiamento.

A pesquisa, que ouviu 1.701 empresas industriais de 3 a 12 de agosto, abrangendo os meses de fevereiro a julho, incluindo pequenas, médias e grandes corporações de todo o país, reforça a necessidade urgente de um ambiente mais propício ao financiamento. As conclusões da CNI fornecem um mapa detalhado dos desafios e apontam caminhos essenciais para que o setor industrial brasileiro possa acessar o crédito necessário para investir, crescer e impulsionar a economia nacional.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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