O dia 3 de outubro de 2026 ficará gravado para sempre na memória do futebol feminino brasileiro. O São Paulo Futebol Clube alcançou um feito histórico, conquistando seu primeiro Campeonato Brasileiro da Série A1, encerrando uma era de soberania absoluta do Corinthians. Em uma final eletrizante disputada no Estádio do Morumbis, o Tricolor empatou com seu arquirrival em 1 a 1, mas a vitória por 2 a 1 no jogo de ida garantiu a taça inédita. A celebração foi ainda mais especial com um público recorde, transformando a decisão em um marco para a modalidade.
O Fim de uma Era e o Início de Outra
A conquista do São Paulo representa um divisor de águas no cenário do futebol feminino nacional. O Corinthians, conhecido como 'Brabas', havia dominado as seis edições anteriores do torneio e disputava sua décima final consecutiva, um testemunho de sua hegemonia nos últimos anos. Romper essa sequência implacável era um desafio hercúleo, mas as 'Soberanas' do Morumbi mostraram resiliência e talento, culminando em um triunfo que muda a paisagem competitiva da categoria e abre um novo capítulo na história do clube.
A Batalha Decisiva no Morumbis
O roteiro do confronto de volta no Morumbis teve nuances semelhantes ao primeiro embate na Neo Química Arena, onde o São Paulo havia virado o placar. Desta vez, jogando em casa e com a vantagem agregada, o Tricolor tomou a iniciativa. Aos 10 minutos, Bia Menezes, em um lance surpreendente pela esquerda, decidiu arriscar um chute direto ao gol de ângulo desfavorável, pegando a goleira Nicole de surpresa e abrindo o placar para o São Paulo. A euforia tricolor, contudo, foi brevemente contida. Aos 18 minutos, em um momento de desatenção na defesa são-paulina, a goleira Carlinha afastou mal uma bola, que encontrou Juliete. A atacante corintiana aproveitou o presente e desviou para o gol, igualando o marcador e adicionando ainda mais drama à decisão. Minutos depois, o São Paulo chegou a balançar as redes novamente com Crivelari de cabeça, mas o lance foi corretamente anulado por impedimento.
Drama, Pênalti Perdido e o Canto da Vitória
A segunda etapa trouxe um Corinthians mais ofensivo e pressionando a saída de bola adversária. As Brabas criaram oportunidades, com Jaqueline exigindo uma boa defesa de Carlinha e Jhonson finalizando para fora de dentro da área. O momento de maior tensão ocorreu aos 20 minutos, quando o VAR interveio para assinalar um pênalti a favor do Corinthians, após Robinha puxar Érika na área. A cobrança, que poderia igualar o placar agregado e levar a decisão para as penalidades máximas, ficou a cargo de Gabi Zanotti. No entanto, a goleira Carlinha do São Paulo fez uma defesa crucial, sem dar rebote, mantendo o placar inalterado e preservando a vantagem do Tricolor. Dali em diante, a partida se tornou mais aberta, com ambas as equipes buscando um último golpe, mas sem criar chances de real perigo, culminando em um final de jogo extremamente tenso, com mais de nove minutos de acréscimo.
Um Novo Capítulo nos Livros de Recordes
Além da inédita conquista esportiva, a final estabeleceu um novo marco para o futebol feminino na América do Sul. Com a presença de exatas 49.405 pessoas no Morumbis, a torcida tricolor quebrou o recorde de público em partidas entre clubes no continente. Esse número superou o recorde anterior, estabelecido na final de 2024, quando o próprio Corinthians levou mais de 44 mil torcedores à Neo Química Arena. A vitória do São Paulo não apenas encerrou a sequência de títulos do Corinthians, mas também perpetuou outra marca notável: pelo décimo campeonato consecutivo, a taça do Brasileirão Feminino A1 ficou com uma equipe paulista, consolidando a força do estado na modalidade, com sete conquistas do Timão, uma do Santos, uma da Ferroviária e agora uma do São Paulo.
A transmissão ao vivo pela TV Brasil permitiu que todo o país testemunhasse a história sendo feita, não apenas pela vitória do São Paulo, mas também pela celebração massiva da torcida. A noite no Morumbis foi um testemunho do crescimento e da paixão que envolve o futebol feminino, prometendo um futuro ainda mais vibrante para a modalidade.