Brasília foi palco, nesta quinta-feira (15), da cerimônia de abertura do 35º Congresso da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), um evento que congregou aproximadamente 2 mil delegados e delegadas. Representantes de entidades filiadas de todas as regiões do Brasil estiveram presentes, marcando um encontro de grande significado para o setor. A pauta central foi a veemente defesa da educação pública, socialmente referenciada e de qualidade, acompanhada de discursos firmes e da demonstração de unidade entre as diversas esferas que compõem o ecossistema educacional e político do país.
A solenidade inaugural, que se iniciou com a execução do Hino Nacional Brasileiro, não apenas reiterou a importância do ensino público, mas também estabeleceu um diálogo direto com o governo federal. A presença de Guilherme Boulos, ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, sublinhou o reconhecimento da relevância do congresso e dos educadores na construção de um futuro mais justo e equitativo para o Brasil.
Abertura Marcada pela Unidade e Diálogo Governamental
O ambiente do 35º Congresso da CNTE, desde sua abertura, foi permeado por um forte senso de coesão. A união entre entidades sindicais, estudantis, educacionais e forças políticas comprometidas com o avanço da educação pública foi um dos pontos altos, evidenciando uma frente ampla em prol de objetivos comuns. O palco do evento foi um ponto de convergência para a reafirmação de princípios inegociáveis, destacando a necessidade de fortalecer as escolas públicas em todas as suas dimensões.
Nesse contexto de mobilização e engajamento, a saudação do ministro Guilherme Boulos aos educadores e a explanação dos compromissos da atual gestão com a área educacional foram momentos-chave. Ele ressaltou o alinhamento do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com as demandas históricas da categoria, sinalizando uma parceria para enfrentar os desafios e promover as transformações necessárias no ensino brasileiro.
Os Pilares da Política Educacional Governamental
Em sua intervenção, o ministro Boulos delineou os eixos fundamentais que sustentam a política educacional do governo federal. O primeiro pilar abordou a irredutível oposição à privatização das escolas públicas, uma diretriz clara de que o acesso à educação de qualidade deve ser um direito universal garantido pelo Estado. Esta posição reflete o compromisso com a natureza pública e gratuita do ensino, rejeitando modelos que mercantilizam o saber.
O segundo pilar focou no combate à expansão das escolas cívico-militares. Boulos foi enfático ao afirmar que a escola é um espaço de aprendizado e desenvolvimento pedagógico, primariamente sob a responsabilidade de professores, e não de militares, reforçando a autonomia educacional e a centralidade do educador no processo formativo. Por fim, o terceiro compromisso apresentado pelo ministro foi a valorização dos profissionais da educação. Ele salientou que esta é uma bandeira intrínseca à história e atuação da CNTE e de seus sindicatos, reconhecendo a importância do professor e demais trabalhadores da educação para a qualidade do ensino.
Educação como Ferramenta de Justiça Social e Democracia
A fala do ministro transcendeu as pautas específicas da educação ao traçar um paralelo com gestões passadas, nas quais servidores públicos foram rotulados de 'privilegiados'. Em um contraponto incisivo, Boulos defendeu que o verdadeiro privilégio reside nas grandes fortunas do país, mencionando as iniciativas do governo Lula de taxar os super-ricos como uma medida de justiça social. Essa perspectiva ressalta a educação não apenas como um direito, mas como um mecanismo intrínseco à construção de uma sociedade mais equitativa.
Adicionalmente, Guilherme Boulos enfatizou o papel estratégico da educação na atual conjuntura política nacional. Segundo ele, o ensino de qualidade e a formação de indivíduos críticos são essenciais para combater a desinformação e as fake news, pilares da democracia. O ministro alertou que, historicamente, a educação é um dos primeiros alvos de ataques por parte da direita quando no poder, justamente pelo temor de uma população esclarecida, pensante e engajada, capaz de questionar e transformar a realidade.
Perspectivas e Desafios para a Educação Brasileira
A abertura do 35º Congresso da CNTE solidificou a importância da mobilização contínua em defesa da educação pública e da valorização de seus profissionais. Os debates iniciados em Brasília prometem aprofundar as discussões sobre os caminhos para um sistema educacional mais robusto, inclusivo e democrático. A reafirmação do compromisso governamental, alinhado às pautas históricas dos trabalhadores em educação, inspira a expectativa de avanços significativos. O congresso se configura, portanto, como um marco na luta por uma educação que seja o verdadeiro alicerce do desenvolvimento social e da cidadania plena no Brasil.
Fonte: https://fetram.com.br