Marajó terá Centro de Estudos pioneiro sobre búfalos e sua cadeia produtiva

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Na Ilha de Marajó, onde crianças se divertem adestrando búfalos nas áreas alagadas de Soure, um projeto ambicioso busca impulsionar o conhecimento sobre a bubalinocultura. A família proprietária da Fazenda e Empório Mironga planeja criar o primeiro Centro de Estudos da Bubalinocultura do país.

A iniciativa, ainda sem data para sair do papel, visa fomentar a pesquisa sobre genética, manejo e aproveitamento integral dos búfalos, que são símbolos da região. Estima-se que a Ilha de Marajó abrigue entre 650 mil e 800 mil búfalos, concentrados principalmente nos municípios de Soure, Chaves e Cachoeira do Arari. Os animais são utilizados para transporte, policiamento e possuem destaque na gastronomia local.

Segundo o fazendeiro Carlos Augusto Gouvêa, conhecido como Tonga, o centro não se limitará a veterinários, agrônomos, zootecnistas e biólogos. A ideia é envolver tecnólogos de alimentos, turismo, medicina e outras áreas. “Precisamos de gente para estudar melhor o búfalo: melhoramento genético, como agregar valor no leite, no couro, na carne, manejo, questão sanitária”, afirma Gouvêa.

Enquanto o projeto não se concretiza, a família Mironga mantém a “Vivência Mironga”, um turismo pedagógico que permite aos visitantes conhecer o cotidiano da fazenda, a produção de queijo artesanal de leite de búfala e as práticas agroecológicas.

A Fazenda Mironga também se destaca na produção de queijo de Marajó, um produto de origem secular feito a partir de leite cru com técnicas tradicionais. Em 2013, a queijaria da Mironga foi a primeira a obter inspeção oficial, e o queijo recebeu a Indicação Geográfica do INPI anos depois.

A culinária local também se beneficia dos produtos do búfalo. Em Soure, o Café Dona Bila oferece pratos que unem ingredientes paraenses, como o queijo marajoara e a carne de búfalo, à culinária nordestina. A empreendedora Lana Correia criou pratos especiais para a COP30, como o Cuscuz de Murrá, com filé de búfalo, e o Cuscuz Praia do Amor, com camarão regional e queijo do Marajó.

Apesar da importância cultural e econômica, a criação de búfalos enfrenta desafios ambientais. O último levantamento do Sistema de Estimativas de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa (SEEG) apontou a pecuária como a segunda maior do país. Os búfalos, assim como outros bovinos, contribuem para a emissão de gás metano durante a digestão, o que reforça a necessidade de estudos sobre o manejo sustentável da bubalinocultura, um dos focos do futuro centro de estudos.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

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