Em um cenário global de intensa reestruturação do capital, a ganância das grandes corporações transnacionais tem sido confrontada por uma crescente onda de resistência operária. Da Europa à Ásia, trabalhadores metalúrgicos estão cruzando os braços, desafiando a repressão estatal para salvaguardar seus empregos, salários e direitos fundamentais. Este movimento coordenado reflete uma luta universal contra a precarização e a imposição de custos da transição industrial sobre a classe trabalhadora, exigindo uma resposta unificada e solidária em escala mundial.
O Papel da Solidariedade Sindical Internacional
Diante dessa ofensiva global do capital, a CSP-Conlutas (Central Sindical e Popular), por meio de sua Secretaria Nacional de Metalúrgicos, tem reafirmado seu compromisso com a solidariedade internacional. A central manifesta apoio irrestrito às mobilizações na indústria automotiva europeia e à iminente Greve Geral na Coreia do Sul. Este posicionamento é pautado pela defesa histórica de que nenhuma luta deve ser travada isoladamente, buscando fortalecer os laços entre trabalhadores de diferentes nações para enfrentar desafios comuns impostos pela lógica capitalista sem fronteiras.
Mobilização na Europa: Contra Demissões em Massa e Repressão Policial
No continente europeu, os trabalhadores do setor automotivo, incluindo gigantes como Volkswagen, Audi, Mercedes, MAN e Porsche, além de toda a sua cadeia produtiva, enfrentam severos planos de fechamento de fábricas e demissões em massa. As empresas justificam essas ações como uma forma de descarregar os impactos da crise do capitalismo e os elevados custos da transição industrial, priorizando a blindagem dos superlucros dos acionistas em detrimento da manutenção de plantas históricas e dos empregos de quem, de fato, gera a riqueza.
A gravidade da situação é acentuada pela repressão estatal. Na Alemanha, a intervenção policial atingiu um nível alarmante quando trabalhadores foram detidos por panfletar pacificamente um jornal operário em frente à fábrica da Audi, em Ingolstadt. Esse episódio, qualificado como um ataque inaceitável às liberdades democráticas e sindicais básicas, sublinha a face autoritária dos governos europeus na tentativa de garantir a exploração do trabalho.
As Reivindicações dos Trabalhadores Europeus
Frente a essa ofensiva, os metalúrgicos europeus, com o apoio da CSP-Conlutas, levantam pautas claras e urgentes. Elas incluem o cancelamento imediato de todas as demissões, a defesa integral dos postos de trabalho, propondo a estatização sob controle operário das fábricas ameaçadas, o fim da repressão estatal com a liberdade imediata e retirada dos processos contra ativistas presos, e a redução da jornada de trabalho sem redução salarial, visando garantir emprego digno para todos.
A Grande Greve na Coreia do Sul: Luta por Direitos Contratuais e Controle Tecnológico
Do outro lado do globo, a Coreia do Sul se prepara para uma massiva mobilização. Em 15 de julho de 2026, cerca de 180 mil trabalhadores do Korean Metal Workers’ Union (KMWU) planejam cruzar os braços em uma Greve Geral. Este movimento de grande escala é uma resposta ao boicote dos grandes conglomerados econômicos do país, que se recusam a cumprir uma legislação aprovada em agosto de 2025, que obriga as contratantes principais a negociarem diretamente com os trabalhadores.
Até o momento, 73 bases sindicais buscaram negociação com 23 grandes empresas, encontrando apenas silêncio e ataques diretos à organização sindical. Essa postura patronal demonstra uma clara intenção de manter a precarização e evitar responsabilidades diretas sobre as condições de trabalho, impulsionando a necessidade de uma ação contundente por parte dos metalúrgicos coreanos.
Pautas Centrais da Mobilização Coreana
A Greve Geral coreana se articula em torno de três eixos centrais que ressoam com as demandas de trabalhadores em todo o mundo. Eles exigem o direito à negociação direta com as contratantes principais, visando combater a precarização e a terceirização, e responsabilizar quem realmente controla o topo da cadeia produtiva. Outra pauta crucial é a proteção do emprego frente ao avanço da Inteligência Artificial e da automação, defendendo que os trabalhadores, e não o capital, devem decidir sobre a implementação de novas tecnologias para evitar o aumento do desemprego. Por fim, reivindicam a negociação por ramo/setor, buscando a valorização real do salário mínimo da categoria e o fim da desigualdade salarial.
A Imperativa Unidade Global da Classe Trabalhadora
A similaridade das práticas de exploração, reestruturação e retirada de direitos observadas nas fábricas da Volkswagen e Mercedes na Europa e nos conglomerados sul-coreanos, bem como em outras regiões como a América Latina e o Brasil, demonstra que o capital opera sem fronteiras. A dor de um operário em Wolfsburg ou em Seul é intrinsecamente a mesma de um trabalhador metalúrgico brasileiro, evidenciando a necessidade de uma resposta igualmente global e unificada da classe trabalhadora.
Conforme destaca Luiz Carlos Prates, o 'Mancha', dirigente da Secretaria Executiva Nacional da CSP-Conlutas, é fundamental que os trabalhadores não se deixem dividir por nacionalidades ou entrar em concorrência uns contra os outros. A unidade da classe trabalhadora é um princípio internacional indispensável para enfrentar os desafios impostos pelo capitalismo global. Nesse sentido, a CSP-Conlutas exige a negociação imediata por parte dos governos e patrões com os sindicatos legítimos, reconhecendo a importância do diálogo e do respeito aos direitos trabalhistas para a construção de um futuro mais justo e equitativo.
Fonte: https://mundosindical.com.br