Primeira vara de idosos do TJRJ Alcança referência Nacional em um ano

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Inaugurada pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) em janeiro do ano passado, a 1ª Vara Especializada em Pessoas Idosas (Vepi) celebra seu primeiro ano de funcionamento consolidando-se como um modelo exemplar no cenário jurídico nacional. A unidade tem sido crucial para o tratamento humanizado e célere de demandas cíveis envolvendo a população idosa, um segmento da sociedade que frequentemente requer atenção judicial diferenciada e cuidadosa. Em seu período inicial de operação, a Vara demonstrou notável eficiência e produtividade, evidenciando o impacto positivo de uma abordagem especializada. Mais do que números, a Vepi representa um avanço na garantia dos direitos e na dignidade dos idosos, pautando sua atuação na sensibilidade e na articulação estratégica com outras instituições. Esta nova fase da justiça fluminense para idosos estabelece um novo patamar de atendimento, reconhecido por sua proatividade e resultados concretos.

Um Ano de Operação: Resultados e Metodologia Humanizada

Balanço e Impacto Quantitativo na Proteção ao Idoso

Em seu primeiro ano de funcionamento, a 1ª Vara Especializada em Pessoas Idosas (Vepi) do TJRJ demonstrou uma performance impressionante, não apenas em termos de volume, mas na qualidade da resposta judicial oferecida. Desde sua instalação em janeiro do ano passado até o final de novembro do mesmo período de balanço, a Vara emitiu um total de 1.522 sentenças, 3.410 decisões e 9.012 despachos, culminando em 13.944 atos decisórios. Esses números robustos refletem um engajamento intensivo na resolução de conflitos e na proteção dos direitos de um público vulnerável, garantindo que as demandas dos idosos sejam tratadas com a urgência e a profundidade que merecem.

A agilidade processual é um dos pilares da Vepi. Com a distribuição de 655 novos processos e a baixa de 1.229, a Vara não apenas absorveu novas demandas, mas também conseguiu reduzir o estoque de processos pendentes, um indicativo claro de eficiência e gestão otimizada. Para os idosos, essa celeridade se traduz em resoluções mais rápidas para questões críticas como acesso à saúde, proteção patrimonial, acolhimento em situações de vulnerabilidade e combate à violência. A especialização permite que os magistrados e suas equipes desenvolvam um conhecimento aprofundado sobre as particularidades das causas envolvendo idosos, aplicando a legislação de forma mais eficaz e humanizada. Este foco no atendimento individualizado e na resposta rápida às necessidades emergentes do público sênior solidifica a Vepi como um farol de esperança e justiça no cenário jurídico brasileiro.

A Essência da Colaboração: Sinergia Interinstitucional

Fortalecendo a Rede de Apoio e Proteção aos Idosos no Rio

O sucesso da 1ª Vara Especializada em Pessoas Idosas não se limita à sua capacidade interna, mas reside, fundamentalmente, na sua filosofia de “ação conjunta”. O juiz Carlos Eduardo Pimentel das Neves Reis, que acompanha a Vepi desde sua inauguração, enfatiza a necessidade de uma estreita aproximação entre o Judiciário e outras esferas de poder e instituições. Essa colaboração estratégica envolve o Ministério Público, a Defensoria Pública, e, crucialmente, os diversos órgãos do poder executivo municipal e estadual que compõem a rede de proteção social ao idoso.

Essa teia de apoio interinstitucional abrange uma vasta gama de serviços e estruturas essenciais. Desde as Clínicas da Família, que oferecem suporte primário de saúde, até os Centros de Referência Especializados de Assistência Social (Creas) e os Centros de Referência de Assistência Social (Cras), que lidam com situações de vulnerabilidade e garantia de direitos. A rede inclui também abrigos e casas de envelhecimento saudável, essenciais para o acolhimento de idosos em situação de risco ou abandono. O magistrado Carlos Eduardo destaca a inutilidade de uma sentença judicial que determine o acolhimento de um idoso se não houver um local adequado para recebê-lo. É essa consciência da realidade social que impulsiona a Vepi a ir além dos muros do tribunal, buscando a integração com o “aparato” municipal para garantir que as decisões judiciais se traduzam em soluções concretas e efetivas na vida dos idosos.

Um marco dessa interação foi o encontro estratégico realizado em agosto passado, quando o presidente do TJRJ, desembargador Ricardo Couto de Castro, se reuniu com o prefeito do Rio, Eduardo Paes, a presidente da Coordenadoria Judiciária de Articulação das Varas da Infância, da Juventude e do Idoso (Cevij), desembargadora Daniela Brandão Ferreira, além de outros magistrados e secretários municipais. Este encontro histórico não foi um evento isolado, mas sim a consolidação de uma cultura de diálogo e articulação que tem rendido frutos substanciais para a população idosa da capital fluminense. A comunicação aberta e contínua entre Judiciário e Executivo tem sido um diferencial, permitindo respostas rápidas e coordenadas a desafios complexos e urgentes.

Resultados Tangíveis e o Futuro da Proteção ao Idoso

A abordagem colaborativa e humanizada da Vepi tem se traduzido em resultados palpáveis que impactam diretamente a qualidade de vida dos idosos. Um exemplo notável é o aumento significativo do valor pago pela prefeitura do Rio às instituições de acolhimento por idoso, que passou de R$ 1.746,00 para R$ 2.618,00. Esse reajuste representa um incremento fundamental na capacidade dessas instituições de oferecer um cuidado mais digno e adequado, garantindo melhores condições de moradia, alimentação, saúde e lazer para os idosos sob seus cuidados. A intervenção e articulação do Judiciário foram decisivas para essa melhoria nas políticas públicas de amparo.

A manutenção de canais de comunicação diretos e eficientes entre os diferentes poderes é outra vitória da Vepi. O juiz Carlos Eduardo Pimentel das Neves Reis exemplifica essa sinergia com um caso recente: “Conseguir aproximar esse diálogo e ter as portas abertas para conversar com os secretários, com as pessoas que estão à frente, é fundamental. Na ocasião, trocamos nossos telefones para conversar e o contato continua.” Ele relata uma situação em que o secretário de Envelhecimento Saudável do Rio, Felipe Michel, o contatou devido a uma operação para fechar um abrigo de idosos clandestino. Graças à agilidade da comunicação e à pronta resposta judicial, foi possível emitir uma ordem judicial urgente que resultou no fechamento imediato do estabelecimento irregular, protegendo os idosos que ali viviam em condições inadequadas.

Esses exemplos demonstram que a 1ª Vara Especializada em Pessoas Idosas do TJRJ não é apenas um tribunal, mas um catalisador de mudanças e um articulador de uma rede de proteção integral. Ao completar seu primeiro ano, a Vepi se consolida como uma referência nacional, provando que a especialização, a humanização e a colaboração interinstitucional são caminhos essenciais para a construção de uma justiça mais eficaz e sensível às necessidades dos idosos. Este modelo promissor aponta para um futuro onde os direitos da população sênior são não apenas reconhecidos no papel, mas efetivamente garantidos em suas vidas diárias, servindo de inspiração para outros tribunais do país.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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